quinta-feira, 8 de maio de 2014

Brasília terá projeto de gestão do patrimônio inspirado em Cuenca


A cidade equatoriana foi reconhecida pela Unesco por sensibilizar os moradores para a importância da preservação do Centro Histórico

(Cuenca-Equador)A terceira maior cidade do território equatoriano e capital da província de Azuay, Cuenca, tem sido premiada por diversas instituições internacionais pelo desenvolvimento de projetos que elevam a qualidade de vida dos moradores e fomentam o turismo local. Pelos bons resultados obtidos nessa área, o destino foi escolhido pela Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF) como um dos modelos de boas práticas na gestão do patrimônio que irão subsidiar um plano local.

Cidade estratégica na promoção do país do qual faz parte, Cuenca foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1999, desde quando o governo municipal de Azuay investe na sensibilização dos moradores para a importância da preservação do Centro Histórico.

Como o apoio do Ministério do Turismo do Equador, a Fundação "El Barranco" desenvolveu o "Projeto de Revitalização Urbana", vencedor de cinco prêmios internacionais, principalmente no ramo da arquitetura. O último reconhecimento foi em 2013, com o primeiro lugar no Prêmio Jean Paul L'Allier, concedido pela Organização das Cidades Patrimônio Mundial (OCPM).

O Projeto consiste na conservação dos pontos históricos com pequenas intervenções urbanas que melhoram a paisagem urbana, facilitam o desenvolvimento do comércio e a rotina da população.

Neste contexto, nos últimos nove anos, a Fundação investiu na revitalização de grandes mercados, de pontes que ligam o lado moderno ao centro histórico da cidade, na construção de praças de convivência, ciclovias e revisão da iluminação das vias públicas.

"Estamos revivendo e conservando nossa história, mas com projetos que são claramente de 2014. Recuperamos, por exemplo, fachadas de casarões antigos e integramos às obras elementos de modernidade que irão garantir a sustentabilidade do Projeto", disse o arquiteto Santiago Vanegas, responsável pelas intervenções.

Segundo Santiago, as obras feitas em Cuenca são reconhecidas por prezarem pela sutileza nas alterações realizadas, baixo custo empregado e êxito na proposta de valorizar o potencial da cidade. "São soluções simples que causam grande impacto e estão transformando a cidade pouco a pouco", avaliou.

O trabalho realizado até este ano será publicado em forma de livro. O lançamento será nesta quarta-feira (7) e contará com a presença de representantes da Secretaria de Turismo do Distrito Federal.

A experiência de Cuenca integra uma série de estudos realizados pela Setur-DF por meio do Acordo de Cooperação Técnica estabelecido em 2011 com a Unesco, que tem por objetivo promover a capital brasileira como sítio reconhecido como Patrimônio da Humanidade e estimular o turismo local por meio desta condição.

Menstruar ou não menstruar?

Cada vez mais mulheres optam por interromper de vez a menstruação. Veja o que os médicos dizem e o que deve ser levado em conta na hora de tomar essa decisão


Sabrina Mascarenhas de Oliveira tem 21 anos e nem sofre muito com a sua menstruação. "Apenas sinto vontade de comer chocolate durante a TPM e sinto um pouco de dor", conta a jovem estudante de administração que reside em Mauá, na Grande São Paulo. Apesar de não experimentar cólicas severas e outras complicações do ciclo menstrual, ela acredita que seria bom acabar com o sangramento mensal. "Isso me ajudaria, mas tenho medo do que possa me acontecer no futuro."

Sabrina não é a única a ponderar sobre o tema. Segundo um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista, 32,5% das mulheres gostariam de nunca mais menstruar e 40% sonham com uma simples trégua, ficando mais de um mês sem sangrar. "Essa não é uma tendência exatamente nova, mas agora a mulher se sente com mais liberdade de escolha", diz a psiquiatra Carmita Abdo, que é coordenadora do Instituto ProSex, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O assunto rende debates entre amigas e gera opiniões diferentes entre os próprios médicos. "Há dez anos, eu diria que suprimir a menstruação era ir contra um processo natural. Hoje, porém, os métodos estão bem mais seguros", afirma o ginecologista César Eduardo Fernandes, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.

Afinal, menstruar pra quê?

A gente conhece esta história: todos os meses, o corpo da mulher se prepara para engravidar e, quando isso não acontece, o óvulo amadurecido é liberado junto com parte do endométrio, a parede uterina. Isso é um sinal de que o organismo feminino está saudável e que os hormônios estão cumprindo direito o seu papel. Ponto.

Para interromper o ciclo, os especialistas indicam anticoncepcionais já conhecidos. "A diferença é que a mulher continua utilizando o método sem os intervalos geralmente recomendados", explica o ginecologista Jarbas Magalhães, secretário da Comissão Nacional de Anticoncepção da Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

A maioria desses contraceptivos age de forma semelhante: trata-se de moléculas artificiais que agem como o estrogênio e o progestagênio, dois hormônios produzidos durante o ciclo menstrual. Ao simular essas duas substâncias, o remédio encena a fecundação que não ocorre. "O sangramento que as mulheres têm no intervalo da pílula é fruto apenas da falta do hormônio, e não uma menstruação legítima", esclarece a ginecologista Lucila Pires Evangelista, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Existem várias alternativas para deixar de menstruar (veja o quadro na próxima página), mas alguns médicos são contra qualquer uma delas em mulheres jovens e saudáveis. "Embora esses hormônios pareçam seguros, ainda não conhecemos os efeitos no corpo a longo prazo", argumenta o ginecologista Flávio Zucchi, do Hospital Santa Catarina, em São Paulo.

A turma de jaleco só concorda em um ponto: para algumas mulheres, parar de menstruar é essencial. "Indico para pacientes que sofrem com cólicas muito intensas e endometriose, quando o tecido que reveste o útero cresce demais", completa Zucchi.

Sem o sangramento periódico, a tensão pré-menstrual, a famosa TPM, é outra chateação que dá adeus — pelo menos temporariamente. "Em alguns casos graves, em que a sensibilidade fica muito exacerbada, a supressão da menstruação pode ser mais uma arma contra a TPM, mas não podemos fazer dela o único recurso possível", opina o psiquiatra Alexandre Saadeh, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Antes de tomar qualquer decisão, o mais importante é conversar com seu ginecologista. "É preciso avaliar o seu histórico e realizar uma bateria de exames, como o ultrassom transvaginal", recomenda o ginecologista Waldemir Rezende, do Hospital Santa Catarina. A supressão é — ou deveria ser — descartada para obesas, hipertensas e diabéticas descompensadas.

Depois de iniciado o tratamento, é importante ficar de olho no comportamento do organismo. "Até mesmo bons médicos se equivocam na escolha do método, e só o acompanhamento vai revelar se a opção foi certeira", diz César Eduardo Fernandes.

E a fertilidade?

Os efeitos de todos os anticoncepcionais são reversíveis. "Geralmente, indicamos que a paciente deixe de usar esses métodos três meses antes da fase em que deseja engravidar para que o útero, que estava descansando, se prepare para a gestação", explica Flávio Zucchi. Esse período de recuperação do sistema reprodutor varia de acordo com o tempo de ação de cada contraceptivo, que pode chegar a até 18 meses, no caso da injeção trimestral. Para Renate Michel, professora de psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, a decisão de menstruar ou não precisa ser algo muito refletido. "A mulher deve se perguntar o real motivo desse desejo e decidir de maneira consciente", finaliza Renate.

Qual metódo posso usar
Saiba mais sobre seis anticoncepcionais utilizados para brecar a menstruação e se eles realmente funcionam

> Adesivo
Não impede a menstruação, exceto quando a mulher não segue o período de uma semana de descanso. 
Anel vaginal
É inserido pela própria mulher e dura 21 dias. Até três anéis consecutivos podem ser usados, resultando num período de 60 dias sem menstruar.

> Injeção

Dura três meses, e 60% das mulheres que a utilizam não menstruam nesse período. Pode causar retenção de líquidos.